De crianças a idosos, milhares marcham em Nova Iorque contra “fascismo” de Trump e Musk
O centro de Nova Iorque encheu-se, este sábado, com milhares de pessoas, desde crianças a idosos, em protesto contra a postura do presidente norte-americano, Donald Trump, e do seu aliado Elon Musk, a quem acusam de tentar implementar o “fascismo” no país. Fotos: EPA e AFP
Debaixo de chuva, numa marcha pacífica que partiu do Bryant Park até ao Madison Square Park, no centro de Manhattan, crianças aos ombros dos pais erguiam cartazes como “devolvam o nosso futuro” ou “tirem as vossas mãos da nossa Educação”.
Poucas semanas antes deste protesto, Donald Trump assinou uma ordem executiva para “eliminar” o Departamento de Educação.
Mas mais do que jovens, o protesto de hoje mobilizou um grande número de idosos, que quiseram mostrar aos mais novos o seu apoio e esperança num futuro melhor.
“Eu tive mesmo que vir. É tão importante estarmos aqui todos juntos. Estou mesmo muito preocupada com o futuro deste país. Mas há sempre esperança, desde que as pessoas se unam. E eu sinto que a maioria dos americanos não querem isto”, disse à Lusa Lowe, uma septuagenária residente em Brooklyn.
Sobre Elon Musk, Lowe disse nem sequer entender o motivo do bilionário liderar o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE).
“Nem sequer entendo como o Elon Musk integra este Governo. Acho que deveria ser ilegal até. Ele está a recolher dados privados das pessoas e a usar isso contra elas. Tudo para agradar a quem?”, questionou.
O republicano Donald Trump tomou posse no passado dia 20 de janeiro e, nessa ocasião, colocou o empresário Elon Musk a liderar o polémico DOGE, sendo responsável, entre outras medidas, pelo despedimento de dezenas de milhares de funcionários públicos federais e pelo desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), gerando duras críticas ao redor do mundo.
“Salvem a democracia”, “resistam ao fascismo”, “a América não tem reis”, “travem este ataque do DOGE”, “a América não é um negócio”, “fim a este fascismo, fim a esta ditadura” eram outras das frases que se podiam ler nos cartazes erguidos durante o protesto.
“Estou aqui hoje porque este Governo não respeita o Estado de direito. E o Elon Musk simplesmente tem de sair da administração”, afirmou à Lusa Barbara, outra nova-iorquina “na casa dos 70 anos”.
Barbara veio ao protesto com a sua amiga Beth, que segurava um cartaz que dizia: “Estamos em 1929 ou em 1939? Ou ambos?”.
Beth aproveitou para deixar uma mensagem aos portugueses e restantes estrangeiros ao redor do mundo: “Nós, americanos, não somos todos como Donald Trump, posso garantir isso”, disse à Lusa.
Os protestos foram convocados pelo MoveOn, um grupo progressista de defesa de políticas públicas, em conjunto com outras organizações, e a expectativa dos promotores é que sejam as maiores manifestações desde que Trump regressou ao poder.
Além dos 1.200 protestos convocados em todos os estados norte-americanos, incluindo na capital federal, Washington DC, registaram-se manifestações igualmente em várias cidades de vários países, como Lisboa, Londres, Toronto, Toulouse, Lyon, entre outras.
Entre as reivindicações dos manifestantes estão o fim da demissão em massa de milhares de trabalhadores federais, a continuidade do apoio a pessoas transgénero ou o fim da deportação de imigrantes.