Primeiro-ministro francês estima que tarifas de Trump custem mais de 0,5% do PIB
Com o aumento repentino das taxas alfandegárias decidido pelo presidente norte-americano, “o risco de perda de emprego é absolutamente grande, assim como o de uma desaceleração económica, de uma paralisação dos investimentos”, avaliou François Bayrou.
“A desestabilização que causou vai enfraquecer a economia global durante muito tempo”, acrescentou o chefe do Governo francês.
Hoje, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, declararam conjuntamente que uma guerra comercial “não é do interesse de ninguém”, mas alertaram que “ninguém deve ser excluído”, segundo o gabinete do líder britânico.
O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na quarta-feira uma ordem executiva que impõe tarifas de pelo menos 10% sobre todas as importações para os Estados Unidos e de 20% sobre as da União Europeia (UE), provocando uma onda de choque em todo o mundo.
“A primeira preocupação, (…) a que nos deve alertar, é com os produtores franceses, com as empresas que produzem e exportam para os Estados Unidos”, disse François Bayrou, na sexta-feira, alertando para “dezenas de milhares de empregos ameaçados” nos sectores agrícola, vitivinícola e das bebidas espirituosas.
Já o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu, sexta-feira, a suspensão dos investimentos no estrangeiro, no âmbito de uma resposta europeia que espera que seja “proporcional” para dar uma oportunidade às negociações com os norte-americanos.
O presidente da organização patronal francesa Medef, Patrick Martin, sublinhou hoje que “a Europa deve falar a uma só voz”.
“A França e a Europa devem, ao mesmo tempo, implementar medidas de apoio aos setores afetados e, de forma mais ampla, acelerar as suas estratégias de competitividade e diversificação. Devemos também procurar outros mercados de exportação na América do Sul, Canadá e Ásia”, continuou o responsável da Medef em entrevista ao jornal regional Ouest France.
O responsável estimou que, neste contexto, a necessidade urgente era “reduzir voluntariamente as despesas públicas”, uma questão polémica, já que a França está a enfrentar um aumento do seu défice orçamental e do seu nível de dívida para um dos mais elevados da zona euro.